Exposição ( abertura x velocidade)
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Muita gente tem dificuldade em entender o que é abertura de diafragma,
velocidade de obturador, exposição, compensação,
etc, muitas vezes desistindo antes de começar, achando que estes
termos são tão herméticos como os hieróglifos
egípicios. Na verdade esses conceitos são simples, desde
que busquemos uma analogia.
Quantas vezes por dia não enchemos um copo, uma panela ou outro vasilhame qualquer com um líquido? O que acontece se abrimos muito a torneira? E se abrirmos pouco? Vamos pensar um pouco: imagine que você tem um copo comum de 200 ml e quer enchê-lo com água. Podemos ter quatro situações: |
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1. A torneira é aberta com uma vazão de 5 ml/segundo durante um tempo fixo de 10 segundo. Ao final deste tempo, apenas um quarto do copo estará preenchido. Ou seja, o tempo insuficiente para preencher o volume do copo. |
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2. A torneira é aberta com uma vazão de 50 ml/segundo durante um tempo fixo de 10 segundo. Ao final deste tempo, não só o copo estará todo preenchido, como ainda terá sido derramado um volume total de 500 ml. Ou seja, o tempo foi excessivo para o que se queria, que era preencher o volume do copo. |
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3. A torneira é aberta com uma vazão de 5 ml/segundo até o preenchimento do copo, enquanto medimos o tempo com o cronometro. Quando o volume de 200 ml é alcançado, o tempo total foi de 40 segundos |
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O que se tentou mostrar com essa analogia foi: o que se queria era preencher
o copo sem derramar e sem faltar, e para isso tivemos que lidar com duas
variáveis, que são a regulagem da torneira e o tempo que
ela permaneceu aberta. Vimos que, para que o enchimento fosse perfeito,
quando a vazão era menor, foi necessário abrir a torneira
por mais tempo. Quando a vazão foi aumentada, o tempo necessário
foi bem menor. É importante observar que:
5 x 40 = 200 e também que 50 x 4 = 200! Será que existem outras relações de tempo e vazão que também dariam o mesmo volume final? Claro que sim: 10 ml/seg durante 20 segundos, 20 ml/seg durante 10 segundos e uma combinação infinita de pares de valores. Com a fotografia também acontece um fenômeno semelhante. Para que a foto saia bem registrada, existe uma única quantidade de luz necessária para cada situação. Luz em excesso vai "queimar" o filme, e pouca luz será insuficiente para registrar qualquer coisa, exatamente como o nosso copo transbordando ou meio vazio. Nas fotos a seguir estão ilustrados três situações: a) excesso de luz ou foto superexposta; b) exposição normal e c) pouca luz ou foto subexposta. |
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Mas, onde ficam a torneira e o cronômetro nas nossas câmeras?
Nos modelos mais simples, esses controles são fixos ou automáticos,
fugindo ao controle do usuário. Contudo, o fato de não poder
alterar esses parâmetros não implica que você deixe
de tirar boas fotos ou evitar desperdiçá-las. Para isso,
torna-se necessário conhecer as limitações do seu
equipamento.
Nos casos em que tanto a velocidade como a abertura são fixas, deve-se aproveitar as condições de muita luz, como um dia ensolarado ou sombra com luz difusa. A não ser que se disponha de flash, é inútil tentar bater uma foto à noite ou com luz artificial, pois os resultados serão péssimos. Quando os controles são automáticos, como é o caso de muitas câmeras amadoras modernas ( muitas vezes com o preço de uma câmera profissional), normalmente estão disponíveis símbolos que indicam se a foto que se quer bater é um retrato, paisagem, contraluz, etc. Cada uma dessas situações implica numa combinação diferente de abertura/velocidade. Nas câmeras reflex, apelidadas de "profissionais", existem dois tipos de controle da exposição: "f/stop" ou abertura do diafragma e o da velocidade através do obturador. Esses controles obedecem a padrões internacionais de escala, como será visto a seguir. Quando alteramos a abertura do diafragma, mudamos a quantidade de luz que será absorvida pelo filme. Quando alteramos a velocidade do obturador, determinamos o tempo total que o filme ficará exposto. Quando combinamos a abertura com o tempo temos a exposição total ( lembram acima quando multiplicamos a vazão pelo tempo e obtivemos o volume total?). |
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A abertura é determinada pelo diafragma ou íris. Esse útlimo nome vem da sua aparência física, pois como é um conjunto de lâminas, ao abrir e fechar funciona como a íris de nosso olho. |
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Toda objetiva tem uma escala de abertura em função de suas propriedades óticas. Essa numeração tem uma relação direta entre o ponto focal da objetiva e a quantidade de luz que deixa passar. Para o nosso propósito, vamos nos ater ao fato de que, cada ponto da escala permite duas vezes mais luminosidade que o anterior, e quanto menor, maior a abertura. Na foto ao lado, vemos uma objetiva onde a maior abertura é 2 ( dizemos f:2) e a menor é 16. O marcador está em f:5.6, o que indica duas vezes mais luz que f:8 e duas vezes menos que f:4.. |

| No caso da velocidade do obturador, a unidade utilizada é a fração de segundo, embora algumas câmeras mais modernas tenham marcações maiores do que um segundo. Existem diversos tipos de obturador, sendo mais comuns os de lãminas metálicas e de cortina. |
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| A imensa maioria das câmeras tem a escala de velocidade entre 1000 e 1, o que significa que pode disparar o obturador com velocidade que vai de um milésimo de segundo até um segundo. Os números intermediários representam o denominador da fração 1/x. No exemplo ao lado, as velocidades variam entre 1/1000 até 8 segundos. A letra B que está depois da escala é um comando para deixar o obturador aberto o tempo que se queira. |
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Bem, já vimos como determinar a abertura e a velocidade, mas como
encontrar a combinação ideal entre elas? Já foi dito
que se errarmos na escolha, a foto pode estragar... Para que isto não
ocorra, existe um equipamento que serve para a medição da
luz, chamado fotômetro, que pode ser encontrado isolado, muito utilizado
por fotógrafos profissionais, ou embutido nas câmeras mais
modernas e sofisticadas, mesmo amadoras.
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Já foi visto no capítulo de filmes, que existem diferentes
opções de sensibilidade à luz. Quando colocamos o
filme na câmera, de forma automática ou manual, informamos
à mesma qual é esta sensibilidade, também chamada
de ISO ou ASA. Dependendo dessa informação, o fotômetro
fornecerá as diversas combinações de abertura e velocidade
que necessitamos.
Mas, perguntará você, será que precisarei ter todo esse trabalho cada foto que for tirar? Não é melhor pegar uma câmera toda automática? Não resta dúvida que pode ser um pouco trabalhoso, mas não necessitaremos ficar fazendo contas para saber a melhor combinação. No caso dos fotômetros embutidos, quando fixamos a abertura, a câmera vai reclamar se a velocidade não for a correta, seja por meio de um ponteiro, leds ou mostradores digitais. Aí é só corrigir no botão do controle do obturador e pronto. O inverso também é verdadeiro, você pode fixar uma velocidade e procurar a melhor abertura. O que qualquer fotógrafo PRECISA saber é quando necessita de uma abertura grande ou pequena e de uma velocidade alta ou baixa. Porque cada uma destas variáveis tem influência no resultado final da foto. Já vimos um capítulo onde se falou sobre o foco, que nada mais é do que o controle da nitidez dos objetos retratados. Agora vamos falar um pouco sobre profundidade de campo. Não, não estamos falando do tamanho de um campo de futebol, e sim do quanto dos objetos à frente da câmera ficarão bem focalizados.
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E o que podemos tirar de prático disto? Que sempre devemos usar
a abertura mínima? Não mesmo... Muitas vezes queremos dar
destaque a apenas um elemento da foto, e usamos o artifício da desfocagem
para isolar o nosso objetivo. Já numa foto de paisagem, que queremos
que tudo saia nítido, aí sim, será necessário
a menor abertura possível. As câmeras de foco fixo usam uma
pequena abertura para garantir que tudo o que estiver de dois metros até
o infinito saia absolutamente em foco. As câmeras amadoras mais sofisticadas
usam símbolos para que o fotógrafo escolha se vai tirar retrato
de uma pessoa ou de uma paisagem, e internamente o equipamento faz a combinação
apropriada de abertura x velocidade.
Já quando tratamos da velocidade do obturador, esta é muito mais relacionada com a mobilidade ( ou não) dos objetos que fotografamos. Se vamos retratar uma ação esportiva, brincadeiras de crianças ou veículos em movimento, necessitaremos de velocidades mais altas ( lembre-se: velocidade alta é 1/1000 s, 1/500 s, etc). Por outro lado, se o que se deseja são aquelas fotos de estradas onde só aparecem os rastros de luzes dos faróis, as velocidades terão que ser baixas. Lembre que quando as velocidades são baixas, o uso de um tripé e cabo disparador são fundamentais. Na maioria das vezes, estamos em situações normais, e precisamos fazer o jogo abertura x velocidade para garantir uma boa foto. Nada impede que usemos nosso bom senso para equilibrar a composição com as condições de luz, e assim produzir imagens que possuam algo mais.
Um caso especial de velocidade é quando não há luz
suficiente e precisamos utilizar o flash. Na maioria dos casos, o flash
eletrônico emite uma quantidade pré-determinada de luz e cada
câmera tem a sua velocidade de sincronismo própria. Essa velocidade
de sincronismo é o que garante que o obturador estará aberto
no momento do disparo do flash, que dura alguns milésimos de segundo.
Nas máquinas mais antigas, o sincronismo era a 1/30 s, mas nas atuais,
já sincroniza em 1/125 s. Algumas câmeras mais sofisticadas,
utilizando unidades de flash inteligentes, conseguem sincronizar com velocidades
bem mais altas, algumas até 1/8000 s.
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