Capítulo 8
Tipos de Filmes Fotográficos – Quando e porque usar.
contribuição de Newton Ramalho Júnior
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Já foi visto os cuidados que se deve ter para obter uma boa fotografia,
mas até agora não se mostrou como chegar a ela. Para isto
será necessário uma câmera e um filme, pois assim como
um revolver só atira se tiver munição e um carro só
anda se tiver combustível, só conseguiremos registrar as
imagens com um filme fotográfico.
Existem diversos tamanhos e tipos de filmes diferentes, mas o princípio básico é o mesmo: um material que é impressionado pela luz e que precisa de um processo químico para ficar pronto. Um filme fotográfico é essencialmente uma base de plástico coberta com uma emulsão. Esta emulsão é composta de uma gelatina na qual micropartículas de sais sensíveis à luz estão em suspensão. Depois do filme ter sido exposto na câmera, está num estado que é denominado de imagem latente, e só poderá ser visto após o processamento em laboratório.
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E como saber qual o tipo correto do filme para utilizar em sua cãmera? Bem, a não ser que você seja um fotógrafo profissional ( e neste caso não estaria lendo estas palavras), a probabilidade de que o seu filme seja do formato 35 mm é quase cem por cento. E como se chega a este grau de certeza? Pelo simples fato de que o formato 35 mm popularizou-se bastante, substituindo os formatos 110 e 126, que eram utilizados na imensa maioria das câmeras amadoras. Como será visto no capítulo seguinte, o formato 35 mm é utilizado tanto em equipamentos simples e baratos, como as câmeras de visor direto de foco fixo, como nas sofisticadas SLR de última geração. Além do mais, a disseminação de minilabs em qualquer canto do mundo completou o ciclo.
Quanto ao tipo do filme, podemos classificá-lo em diapositivo ou
de slide e negativo, que pode ser preto e branco ou colorido. Estes últimos
também são chamados de pancromáticos e policromáticos.
O filme para slide é quase sempre colorido, e após a revelação,
já está pronto para uso. Este tipo de filme é mais
usado por profissionais ou para exposições e palestras.
O filme negativo tem esse nome devido ao fato de que, após ser exposto e processado no laboratório, apresenta-se de tal maneira que as cores são invertidas. Por exemplo, num filme preto e branco, uma folha em branco será exibida em preto, enquanto que um pneu negro aparecerá branco. Uma cor intermediária ficará num tom cinza, mais ou menos escuro. No filme colorido, o amarelo aparece azul no negativo e assim por diante. Veja os exemplos abaixo:
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À esquerda temos a foto final, depois de copiada, e à direita o respectivo negativo. A seguir, a mesma foto se tivesse sido feita num filme preto e branco:
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Muito bem, dirá o leitor, já sei o tamanho do filme que vou
usar, mas e que outros tipos mais podem existir?
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Os filmes de tamanho 110 e 126 foram muito utilizados em câmeras populares pela facilidade de uso, pois devido ao fato de serem embaladas em cartuchos, o seu manuseio era extremamente simples. Contudo, o pequeno tamanho do negativo prejudicava uma ampliação maior do que 10x15 e após a explosão do uso do 35 mm só se encontra agora esse tipo de câmera em antiquários. |
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O filme de tamanho 135 ou 35 mm é o campeão absoluto de uso, tanto por amadores como pela maioria dos fotógrafos profissionais. Essa aceitação se deve ao fato do formato permitir ampliações razoáveis, ter disponibilidade tanto de laboratórios de revelação uma hora ( minilabs) como de suprimento e equipamento em qualquer parte do mundo. Talvez seja o produto mais padronizado que existe, pois um filme fabricado no México pode ser utilizado numa câmera japonesa e processado num laboratório da Tailândia sem qualquer problema. Na figura acima, vemos o 35 mm meio-quadro, que foi muito popular nos anos setenta, com câmeras que "duplicavam" o filme. Hoje em dia não se utiliza mais, pois além de estar fora do padrão, o negativo menor prejudicava as cópias. |
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Os formatos 120 que permitem negativos 6 x 6, 6 x 7 e 6 x 4,5 são de uso profissional, principalmente em estúdio, pois os equipamentos que os utilizam são maiores e mais pesados, normalmente exigindo a utilização de um tripé. O rolo 120 foi muito utilizado por um tipo de câmera denominada TLR, que será vista no capítulo seguinte.
Através da variação da quantidade e do tipo de emulsão
utilizada, obtém-se diferentes sensibilidades do filme à
luz, o que é chamado de velocidade da emulsão. A Associação
Americana de Padrões (ASA) é uma organização
que desenvolveu um sistema para medir essa velocidade. Nesse sistema, conhecido
como Índice de Exposição ASA ou simplesmente ASA,
quanto mais alto for o número, mais rápida será a
velocidade do filme. Dessa maneira, um filme classificado como ASA 100
é duas vezes mais rápido e requererá a metade da exposição
de um filme classificado com ASA 50. Em contrapartida, quanto mais rápido
um filme, maior será o grão no resultado final.
A tabela a seguir exemplifica os tipos mais comuns de filmes de acordo
com a sensibilidade e suas aplicações:
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Filme (sensibilidade) |
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Quanto maior o número ASA, menor a necessidade de luz necessária
para impressionar o filme. Portanto, em ambientes como uma praia num dia
ensolarado, um filme ASA 100 é perfeito, enquanto que num teatro
ou numa sala com luz artificial, será necessário um filme
ASA 800 ou 1600. Veremos a seguir a influencia da sensibilidade do filme
e suas principais aplicações:
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Os filmes "rápidos", como os de ASA maior ou igual a 400, permitem
maiores velocidades e menores aberturas, enquanto os "lentos", com ASA
menor ou igual a 100, necessitam velocidades maiores e aberturas menores.
Como será visto mais adiante, isso tem implicações
na porção da foto que permanecerá em foco.
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Os filmes rápidos apresentam uma granulação maior, tornando-os mais apropriados para aplicações em que a qualidade da imagem não seja o objetivo principal, como fotojornalismo, por exemplo. Nessas situações, é preferível trabalhar com um filme mais sensível, pois as condições de luz podem ser deficientes. Em compensação, é imprescindível registrar um evento importante, mesmo que a imagem saia borrada ou tremida. Já quando se quer uma imagem com nitidez e cores bem definidas, com o objetivo de se fazer ampliações maiores, deve-se utilizar filmes mais lentos, tipo ASA 100 ou 50. |
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Os filmes rápidos se prestam bem para retratos de pessoas ou grupos, mas quando se tem a necessidade de precisão nos detalhes, o filme lento é mais apropriado. Para isto, um suporte qualquer como um tripé ou monopé torna-se fundamental. |
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Com relação às cores, podemos ter desde o filme colorido normal, filme colorido para uso com luz artificial, filme preto e branco tradicional, filme preto e branco que pode ser revelado num minilab, filme infravermelho, até o conhecido filme das chapas de raio-x. |
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Finalmente, com relação às ampliações,
os laboratórios oferecem diversos tamanhos, embora o padrão
da indústria seja o popular 10x15 cm. Quando se quer apenas uma
prova, pode-se pedir um copião, que nada mais é do que uma
cópia no mesmo tamanho do negativo.
Uma opção melhor é a cópia 7 x 10 cm, que dá para ver todos os detalhes da foto sem implicar num custo alto. Para ampliações finais feitas num minilab, existem as opções 15x21, 20x25 e 30x45. Para cópias maiores, será necessário recorrer a um laboratório especializado, com processamento manual. |