Capítulo 11
Foco e profundidade de campo
 
  

         Quando fotografamos algo ou alguém, a não ser que haja um objetivo especial, o que se deseja é que esta foto saia nítida, ou seja, com todos os seus elementos visíveis e bem definidos. Para que isto aconteça, é necessário entender um pouco como funciona o processo. 

 

  

  

        Tudo o que vemos, na realidade é o reflexo da luz que incide sobre a superfície dos objetos. Como não há uma direção preferencial, os raios de luz refletem-se para todos os lados. Dessa forma é que é montada a imagem de qualquer coisa em nossas retinas.

       
        Quando os raios de luz passam por um orifício, se este for largo, ocorrerá a formação de uma imagem no plano do outro lado ( lembram da câmara escura?) difusa e sem definição, pois mais de um raio refletirá um mesmo ponto do objeto original. Isso foi percebido séculos atrás, e descobriu-se que quanto menor o orifício, melhor a imagem refletida.
  

     O orifício menor melhorava a definição da imagem, mas deixava-a muito escura. Já no século XVI, artistas começaram a utilizar lentes nos orifícios das câmaras escuras para poder obter imagens com extrema nitidez e boa luminosidade, graças ao fenômeno da refração dos raios de luz ao passar pela lente.

          Observe que quando um raio de luz passa por um prisma, sofre um desvio na sua trajetória, no sentido da parte mais espessa.
           
        Uma lente biconvexa, que é um tipo de lente positiva, desvia os raios de tal modo que eles se encontram atrás dela. Lembram da conhecida lupa ou lente de aumento? É exatamente este formato de lente utilizado.
          Uma lente bicôncava ou negativa provoca uma divergência nos raios de luz e forma uma imagem "virtual" à sua frente. Tanto para um tipo como outro de lente, o ponto onde a imagem é formada é chamada de ponto focal, e é uma importante informação em fotografia. 
 
  

        Quando os raios paralelos de luz penetram em uma lente positiva, eles se encontram em um ponto, cuja distância até o eixo da lente é chamada de distância focal. Essa grandeza varia de acordo com a espessura da lente, pois um elemento mais fino e com pouca curvatura terá uma distância focal maior, e vice-versa. Veja o esquema a seguir:  
 

   
         Em fotografia, mesmo nas câmeras mais simples, utiliza-se uma série de lentes côncavas e convexas, especialmente projetadas para compensar as deficiências de cada elemento isolado. A depender do arranjo e tipo das lentes, obtém-se diferentes tipos de objetivas, como as grande-angular ou teleobjetivas, que serão vistas posteriormente.
 

 
 

    

          Toda câmera fotográfica dispôe de um sistema de focalização, pois a necessidade básica de qualquer fotógrafo, seja profissional ou amador, é ver as suas imagens reproduzidas com nitidez. A focalização pode ser feita através do cálculo aproximado da distância do objeto ao plano do filme, ou por meio de instrumentos especiais, que fazem esta leitura. O primeiro tipo está presente nas câmeras mais simples, enquanto que o último é padrão nas mais sofisticadas. 

        Podemos classificar os sistemas de focalização em: câmeras de visor direto, com telêmetro, com foco automático e as reflex. As do primeiro grupo, as de visor direto, que são as mais populares, tem sua divisão: 

    1. Objetiva de foco fixo - é o tipo de câmera mais barata, normalmente toda de plástico, que tem um sistema de lentes fixa, normalmente prevista para colocar em foco tudo o que esteja entre 1,5 a 2 m e o infinito. Esse tipo de foco tem a desvantagem de não permitir a aproximação do objeto nem a variação da imagem.
    2. Objetiva fixa com lente adicional - alguns fabricantes forneciam como acessório uma lente para permitir fotos mais próximas, sendo fixada diretamente na objetiva. Como o visor não obtém a mesma imagem da objetiva, vê-se que a operação era mais por tentativa. Atualmente está em desuso.
    3. Foco por zona - algumas câmeras de visor direto utilizavam objetivas quepodiam ser reguladas por estágios. O anel de focalização vinha marcado com figuras simbólicas de retratos, grupos e paisagens. De acordo com o tipo de fotografia, o fotógrafo colocava o anel na posição pré-estabelecida. As máquinas de visor direto da década de 70 usavam muito esse sistema, principalmente Olympus e Yashica. Veja foto abaixo:

           O grupo a seguir é o das câmeras que usam telêmetro. Esse termo vem do grego, e seria literalmente "medidor de distâncias". Por meio de um sistema de espelhos e prismas, o fotógrafo vê uma imagem dupla. Girando o anel de foco, ele corrige a distância até as imagens se fundirem em uma só. Esse tipo de câmera permite foco em condições de luz sofríveis, sendo os fabricantes mais conhecidos Leica e Contax. São equipamentos muito caros e de extrema precisão. 

  

        O sistema de telêmetro utiliza visor, um espelho semitransparente e um prisma ou espelho móvel, que é o responsável pelo ajuste do foco (vide esquema ao lado). 

       Aqui, um exemplo da foto ainda fora de foco. Observe no retângulo central uma imagem deslocada: 
      Agora, com a foto já em foco, só existe uma imagem visível: 
 
  

            As câmeras de foco automático são as de visor direto que possuem inúmeras outras funções automáticas, e que tem como objetivo principal evitar que o usuário precise usar qualquer controle que não seja o disparador ( tanto que o apelido em inglês é point-and-shoot ou aperte e dispare). Não confundir com as reflex auto-focus que serão vistas adiante. As câmeras de foco automático tem a desvantagem de não pemitir que se defina o que se quer em foco. Assim, o usuário menos avisado pode bater uma foto da família e só depois perceber que aquele galhinho na frente ficou focalizado e o resto não. Isso deve-se ao tipo de mecanismo que controla o sistema de foco. Portanto, ao utilizar-se uma destas câmeras, deve ser evitado ambientes com muitos objetos entre a câmera e o motivo principal. Outra alternativa é procurar fotografar em ambientes com muita luminosidade, quando certamente a área em foco será maior. Para aplicações profissionais, não é recomendada, embora o preço da maioria destas câmeras iguale o de uma reflex não muito sofisticada. 

           Para as necessidades do dia-a-dia, é excelente, embora o fotógrafo deva tomar os cuidados necessários para não desperdiçar os recursos da câmera.

 

 

 

 
 

            O sistema de focalização das câmeras reflex é o mais preciso de todos os tipos de câmeras, pois como a imagem que chega ao visor é a mesma que passa pelos elementos da objetiva, o que se tem é a reprodução fiel do que será impressionado no filme. A imagem passa pela objetiva (1), é refletida no espelho móvel (2) e através do pentaprisma (4) chega ao visor (5). Através do visor, o fotógrafo pode controlar o foco, que é feito por meio de um anel na objetiva.  

           Para ajudar o fotógrafo nas situações em que as condições de luz não estão boas, existem alguns sistemas auxiliares, como os microprismas e a imagem bipartida. O primeiro deixa a imagem do círculo central mais escuro e fica transparente quando a imagem está em foco. O segundo só alinha a imagem no círculo central quando o foco está perfeito. Veja os exemplos abaixo: 

 

        A figura à direita está em foco. A imagem bipartida é muito útil quando se fotografa objetos verticais, como a torre do exemplo.  
 

          
         Muitas vezes não se quer que toda a foto esteja em foco, pois alguns elementos mais próximos servirão de realce para o motivo principal, como na foto ao lado. Para isso, é necessário conhecer e usar os recursos da câmera para controlar a profundidade de campo.  
 

        A profundidade de campo é a porção da foto que estará em foco no nosso retrato. Na foto ao lado, a porção em foco é a pessoa sentada no banco, e a folhagem no primeiro plano serve como se fosse uma moldura para salientar a solidão e o abandono do idoso. 
 

       Esses recursos podem ser usados com as mais diversas finalidades, mas para isso é preciso que saibamos como controlar a profundidade de campo.

           Já vimos um capítulo onde se falou sobre o foco, que nada mais é do que o controle da nitidez dos objetos retratados. Agora vamos falar um pouco sobre profundidade de campo. Não, não estamos falando do tamanho de um campo de futebol, e sim do quanto dos objetos à frente da câmera ficarão bem focalizados. 

 

        Graças a um fenômeno ótico conhecido como "círculos de confusão", observa-se que, quanto menor for a abertura do diafragma, ou seja a quantidade de luz que chega ao filme, maior será a área à frente da câmera que ficará bem focalizada, como pode ser observado na figura ao lado. Veja que no outro extremo, ou seja, abertura máxima, apenas uma pequena porção da foto ficará nítida. Isso é o que se chama de profundidade de campo.